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Notas para uma psicologia preta

 O texto Descolonizando a Psicologia: Notas para uma psicologia preta de Lucas Veiga tem o objetivo de reconfigurar as práticas psicológicas na clínica com pessoas negras. Criticando os referenciais exclusivamente brancos e europeus que estruturam os currículos de psicologia atuais, Veiga propõe um refundamento da clínica psicológica a partir de autores e autoras negros e negras. Ao afirmar que existem territórios subjetivos da negritude que pessoas brancas não são capazes de suportar, o autor defende não apenas a reformulação dos currículos de psicologia e a crítica epistemológica à branquitude, mas o encontro entre pessoas negras como estratégia de aquilombamento e de cura das mazelas do racismo e da escravidão. Veiga introduz a necessidade da psicologia de estar sensível ao contexto social, criticando a psicanálise freudiana por dar pouco ouvidos à responsabilidade do “mundo” na estruturação dos sintomas individuais. Em sua conceituação do racismo, da colonialidade e da escravid...

Poética da Relação

 O texto "Poética da Relação" de Édouard Glissant aborda o tema das relações e do campo indizível dos encontros em seu caráter trágico. Nessa compreensão, a busca por legitimidade da posse de um território leva populações a desenvolverem seus particularismos, engendrando uma tendência generalizadora a partir da qual uma visão simplificada do Outro coloca uma oposição identitária: “nós” x “eles” prejudicial à experiência da errância e da totalidade do ser. O texto foi dividido em duas partes: a primeira, intitulada "A barca aberta", com sua linguagem poética, convida o leitor a experiência do desconhecido metaforizada na imagem dos navios tumbeiros que levavam pessoas escravizadas da África para a América. O autor descreve o abismo como projeção e perspectiva do desconhecido, comparando com a barca aberta e a imensidão do mar para trazer a imagem de tudo que foi abandonado, os deuses, os animais, os objetos do cotidiano. Na medida em que esse abismo é esquecido, o de...

Escuta transfeminista

O texto de Sofia Favero, Marine Marini e Ariane Senna " Uma teoria psicológica transfeminista : sobrevivendo aos escombros da saúde mental brasileira" publicado em 2023 foi escrito em um contexto político do final do governo Bolsonaro, enquanto a disputa em torno da chamada ideologia de gênero tinha grande destaque nas reivindicações dos setores sociais em oposição. Não à toa, a introdução do artigo aborda a suposta neutralidade da ciência psicológica considerando as reflexões historicamente trazidas pelos movimentos feministas. Embora teçam suas críticas à adjetivação das práticas em psicologia, as autoras lançam mão de autores e autoras trans/do feminismo para traçar um paralelo entre a cisnormatividade e a clínica, defendendo uma escuta transfeminista como caminho para a despatologização das diversidades sexuais e de gênero. Com o objetivo de situar a cisgeneridade mais como uma norma do que como uma identidade ou identificação, o artigo cita Viviane Vergueiro para definir...

Criminalização da LGBTfobia

Matheus Bogossian Porto                                                                                                                   Julho/2019           Este trabalho tem o objetivo de relacionar alguns textos da disciplina de Psicologia e Instituições Familiares com a notícia da criminalização da LGBTfobia, veiculada por diversos veículos de comunicação – entre eles a matéria “Por 8 a 3, Supremo aprova a criminalização da LGBTfobia” publicada pela revista Carta Capital no dia 13 de Junho de 2019, a matéria “Comissão da Câmara aprova projeto de lei que criminaliza a LGBTfobia” publicada no site do G1 no dia 5 de Junho...

Transsexualidade e ética na prática psicológica

Joyce Ferreira, Marcella Aparicio, Matheus Bogossian Porto, Ranny Dias                    Jan. 2016 INTRODUÇÃO  Mesmo antes do nascimento de uma criança, é possível perceber em inúmeros casos certa ansiedade em relação à descoberta do sexo da criança. A ansiedade aumenta conforme o aparelho de ecografia desliza pela barriga da mãe e só é apaziguada quando é anunciado enfim o sexo a partir da observação do genital. A partir da observação da estrutura corpórea, lhe é atribuído um gênero e cria-se a expectativa de que, entre outras coisas, o bebê desempenhe com êxito o gênero que lhe foi imposto a partir de proibições e afirmações do que a sociedade aponta como pertencente ao universo “feminino” e “masculino”. Apesar disso, mesmo que existam regras e se criem planos, a sequência sexo-gênero é subvertida e desobedecida, originando, portanto, um indivíduo em conflito com as normas sociais.  A Transsexualidade, entre uma de suas...